Lemman x Dantas

O artigo de Elio Gaspari hoje na Folha se São Paulo vale um estudo de caso em faculdades de Administração:

Talvez seja mais que uma coincidência: enquanto o povo de Pindorama acompanha enraivecido o ocaso do banqueiro Daniel Dantas, os empresários brasileiros que dirigem a InBev compraram a cervejeira americana Anheuser-Busch. Um negócio de US$ 52 bilhões que faz da empresa belgo-brasileira a maior companhia do setor, com 25% do mercado mundial.
A coincidência pode ser um sinal de que há uma troca de guarda, de métodos e de objetivos no capitalismo brasileiro. Daniel Dantas, um descendente do barão de Jeremoabo, foi considerado um gênio do seu tempo e encarnou o esplendor do papelório e da privataria tucana. Esteve um passo à frente do empresariado cartorial e, durante algum tempo, foi um Midas. Tomou o bonde errado quando se apoderou de concessionárias de serviços públicos juntando-se aos fundos de pensão de estatais. Fez do litígio judicial um apêndice dos seus interesses e deslizou para operações policiais, até acabar algemado. O Brasil de Jeremoabo deu-lhe a impressão de que se tornara poderoso. Nesse Brasil de Jeremoabo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, circula pela controvérsia da libertação do banqueiro como se a chefia da magistratura fosse uma permanência na ilha de Caras, com entrevistas de calçada, adornadas com frases de efeito.
Quando Daniel Dantas chegou ao mercado, lá havia uma referência legendária. Chamava-se Jorge Paulo Lemman. Ele e sua turma compraram a Anheuser-Busch. Ao tempo do papelório, e até mesmo durante o tele-esplendor da privataria, Lemann ganhou todo o dinheiro a que tinha direito. Seu banco, o Garantia, entrou mal numa curva e, em 1988, foi vendido ao Credit Suisse.
Lemann celebrizou-se pela capacidade de juntar talento e trabalho, transformando funcionários em milionários. Três deles foram relevantes para a compra da cervejeira americana: Carlos Brito, Marcel Telles e Carlos Sicupira. Em 1980, quando o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh ajudou a fundar o PT, o patrimônio de Brito, Telles e Sicupira talvez fosse inferior aos R$ 650 mil que, segundo a Polícia Federal, o doutor recebera como honorários até abril.
Lemann e sua turma transferiram-se para a economia real arrematando empresas mal administradas. Em 1989, compraram a Brahma e depois engoliram a Antarctica, criando a AmBev. Em 2004, a empresa juntou-se com a cervejeira belga Interbrew, gerando a InBev. Hoje, 7 dos 12 principais executivos são brasileiros. Carlos Brito, de 48 anos, é seu presidente.
Daniel Dantas poderia ter criado uma AmBev, mas preferiu ficar no regaço do governo. A turma da InBev trata o mínimo possível com os Poderes. São profissionais agressivos e têm uma enorme capacidade de agradar os acionistas. Nos últimos anos, quem comprou ações de suas cervejarias ganhou muito mais dinheiro que a bancada dos títulos públicos.
Faz tempo que a garotada que entra no mercado de trabalho procura evitar atividades que dependam da palavra de burocratas. Numa mesma semana, Daniel Dantas e a turma da AmBev ensinaram que um dos caminhos inclui o risco da cadeia. O outro oferece o sucesso.

Brasil, impotência olímpica

Perfeita a visão de José Cruz sobre política de esportes olímpicos do Brasil.

Ao liberar R$ 85 milhões para a candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o presidente Lula protestou, em tom indignado: “Qual é a explicação para que nunca tenhamos tido uma olimpíada na América do Sul? O Brasil não é um paisinho qualquer”. E concluiu: “Em qualquer critério que venha a ser analisado, o Brasil se coloca entre os 10 maiores países do mundo”.

É verdade, não somos mais um “paisinho”. Houve progressos expressivos, deve-se reconhecer. Mas é exagero afirmar que estamos entre os 10 do mundo “em qualquer critério”. Como disse o poeta, “tudo depende do ângulo com que se mira o cristal”. E, então, teremos cores e tonalidades variadas.

Já que estamos falando de esportes, vamos mirar a afirmação do presidente Lula sob esse enfoque. No critério olímpico, não estamos entre os 10 do mundo. Aí, a realidade é mais dura. Exemplo batido, mas é preciso citá-lo: há 24 anos o nosso atletismo não ganha uma medalha de ouro olímpica. Esse triste recorde de um quarto de século é de Joaquim Cruz. Nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, chegamos ao último dia de prova dependendo do desempenho de um cavalo para ganhar uma, uma só medalha de ouro. E Baloubet de Rouet empacou.

Mais uma virada no cristal e observaremos que não temos política de esportes. Em qualquer “paisinho”, socialista ou capitalista, de ontem e de hoje, a atividade física na escola é programa elementar. Não no Brasil, onde faltam equipamentos, instalações e incentivo aos professores, desmotivados pelo abandono da classe nos últimos anos.
E estamos nessa situação mesmo contando com ministérios do Esporte, da Educação e da Saúde. No entanto, que programas integrados de governo temos para nossa juventude, culminando com a identificação de atletas? Olhando o cristal sob esse enfoque, somos, sim, um paisinho.
E não é por falta de dinheiro.

Ocorre que o brasileiro desconhece o potencial de seu país e se contenta com pouco. Um pódio olímpico é motivo para festa espetacular. Como se fôssemos os melhores, imbatíveis. Uma medalha na natação é manchete nacional e festa que dura uma semana. E estamos falando de um “paisinho” de 33 milhões de crianças matriculadas em escolas públicas…
Mas não sabemos como encaminhá-las para explorar os potenciais, seja no esporte, nas artes, enfim. Isso porque falta aos ocupantes do Ministério do Esporte compromissos com o setor. São políticos de passagens transitórias pela Esplanada. Logo, suas prioridades são outras, como a própria projeção de seus partidos.

Ética na política

Quem achava que não havia nenhum político decente nesse país agora tem razão.
Morreu na última quinta-feira o senador Jefferson Peres.
Entre outras coisas ele foi preterido numa eleição para a presidência do senado onde disputavam, veja você, Jader Barbalho e Antonio Carlos Magalhães.

Quase tão triste quanto a notícia de sua morte é ver políticos corruptos, combatidos pelo senador em sua luta pela ética e honestidade,
darem depoimentos “emocionados” à TV e na tribuna do senado.

Trecho do histórico dircurso proferido pelo senador em 30/08/2006:

Estamos aqui no faz-de-conta.
Como disse o Ministro Marco Aurélio (presidente do Tribunal Superior Eleitoral), este é o país do faz-de-conta.
Estamos fingindo que fazemos uma sessão do Senado, estamos em casa sem trabalhar.
Estou em Manaus há quase um mês recebendo sem fazer nada para o Congresso Nacional.
Como se ter animação em um país como este com um presidente que, até poucas semanas atrás, até poucos meses atrás, era sabidamente – como o é – um presidente conivente com um dos piores escândalos de corrupção que já aconteceu neste país e este presidente está marchando para ser eleito talvez em primeiro turno?
É desinformação da população? Não, não é. Se fizermos uma enquete em qualquer lugar deste país, todos concordarão ou a grande maioria que o presidente sabia de tudo; então votam nele sabendo que ele sabia. A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira.
Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. A democracia é isso. Curvo-me à vontade popular, mas inconformado. Esta será uma das eleições mais decepcionantes da minha vida. É a declaração pública, solene, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos por parte de governantes não têm mais importância
(…) Vou continuar protestando sempre, cumprindo o meu dever. Isso não seria justificativa para dizer que não vou fazer mais nada. Vou cumprir rigorosamente o meu dever neste Senado até o último dia de mandato, mas para cá não quero mais voltar, não.

Um país que tem um Congresso desse, que tem uma classe política dessa, que tem um povo. Senador Antonio Carlos Magalhães, dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população que compactua com isso, é lamentável. E que sabe, não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não, é parte da elite, inclusive intelectuais.
Compactuam com isso é porque são iguais, se não piores. Vou continuar nessa vida pública? Para quê?, Senador Antonio Carlos Magalhães, que é um pouco mais velho do que eu e vai continuar ainda. Mas, para mim, chega.”

Leia um pouco mais sobre ele no Blog do Noblat

Cadê a oposição?

O artigo de Nelson Motta hoje na Folha de São Paulo é uma pérola sobre a política no Brasil:

Entrevistada na TV em um baile de Carnaval carioca, Regina Casé se espantou: “Pô, aqui todo mundo é atriz-modelo-manequim. E as piranhas, onde estão as piranhas?”.
O baile político está bem parecido. Todo mundo quer dançar com o governo, de Maluf e Collor à extrema esquerda do PT, revertendo a clássica piada anarquista dos anos 60 para “hay gobierno? Soy a favor!”.
Quem quer ser oposição em Minas, contra Aécio Neves e Fernando Pimentel? No Ceará, a oposição ao governador Cid Gomes se reduz -como diria Nelson Rodrigues, que abominava unanimidades- a “cerca de dois” deputados. Isso é bom para a democracia? Ou, além da jabuticaba, o Brasil quer surpreender o mundo com a novidade da democracia sem oposição?
Ou talvez seja hora de rediscutir o papel da oposição no Estado democrático moderno, como no Chile e na Espanha. Em países civilizados, a oposição é rigorosa, combativa, propositiva e indispensável -e exige mais do governo. Mas, aqui, ainda é movida a fisiologismo, ressentimento e desmoralização dos adversários.
Há muitos prefeitos, de todos os partidos, que são íntegros e competentes, mas são minoria entre os bandidos, os fisiológicos e os mercenários em causa própria. Para eles, ser oposição no Brasil é um semi-suicídio administrativo, um atentado contra os interesses da população, é aderir ou sucumbir.
Serra e Aécio devem suar frio imaginando o tamanho da encrenca que os espera em um eventual governo no pós-Lula. Devem ter pesadelos com os movimentos sociais e as centrais sindicais nas ruas, com as greves, com a oposição parlamentar dinamitando projetos e reputações, como um velho filme de terror, turbinado pelo apego às delícias do poder dos que ainda não as haviam desfrutado.

Paulinho da Viola

SÓ O TEMPO
(Paulinho da Viola)

Largo a paixão
Nas horas em que me atrevo
E abro mão de desejos
Botando meus pés no chão
É só eu estar feliz
Acende uma ilusão
Quando percebe em meu rosto
As dores que não me fez
Ah! meu pobre coração
O amor é um segredo
E sempre chega em silêncio
Como a luz no amanhecer
Por isso eu deixo em aberto
Meu saldo de sentimentos
Sabendo que só o tempo
Ensina a gente a viver

A alma do negócio

Preste atenção nos nomes abaixo. Você provavelmente conhece todos eles.
Note que a grande maioria dos vencedores do prêmio Top of Mind Internet, idealizado pelo UOL e realizado pelo Datafolha, é líder de mercado na sua respectiva categoria.
A conclusão é óbvia: o bom desempenho da empresa é diretamente proporcional ao seu investimento em publicidade. E por incrível que pareça, é o primeiro a ser sacrificado em tempos de crise.

Acessórios de informática: HP e LG
Aparelho de TV: LG
Artigo Esportivo: Nike
Automóvel: Fiat e Volkswagen
Banco: Itaú
Câmera Digital: Sony
Cartão de Crédito: Visa
Cerveja: Skol
Companhia Aérea: Gol
Computador e Notebook: Dell e LG
DVD Player: LG e Sony
E-commerce: Americanas
Lanchonete: Mc Donald’s
Produto de Beleza: Natura
Produto de Higiene: Dove e Colgate
Refrigerador: Brastemp
Refrigerante: Coca-Cola
Serviço Público: Receita Federal
Telefonia Celular – aparelho: Motorola e Nokia
Telefonia Celular – operadora: Vivo
TV por Assinatura: Net

Idéias podem transformar riscos em oportunidades

(copiada do blog do nassif, muito estimulante para quem pensa em sugerir ao invés de criticar)

 

Querem ver o poder transformador das idéias?

No dia 28 de abril passado, um leitor de nome Emerson (não colocou o sobrenome) colocou um comentário sugerindo um Plano Marshall do Brasil para o Paraguai (clique aqui).

Dizia  ele

A questão Itaipu é complexa do ponto de vista diplomático e im nó do ponto de vista político. Parece-me que do ponto de vista técnico e financeiro esta ótima.

O novo presidente paraguaio montou sua campanha em função da renegociação do tratado. Se não o fizer, rompe com sua base de sustentação. Por outro lado, se o fizer levará os louros de todo sucesso e acusará o Brasil (imperialista) de todo o insucesso. Ou seja, sua unica opção é tentar a renegociação do tratado seja lá qual for o resultado.

No caso diplomático, o Itamaraty sabe que deve tratar o Paraguai em termos totalmente diferentes do que tratou a Bolívia ou trataria qualquer país fora do Mercosul. O Mercosul ainda é de interesse brasileiro. Assim, será importante ceder para que o Paraguai melhore sua condição econômica e fortaleça o Mercosul.

Devemos lembrar do Barão do Rio Branco.. “em diplomacia, aquele que parece que perdeu, na verdade ganhou, e quem aparece com a vitória, de fato perdeu”. Nâo interessa ao Itamaraty parecer vitorioso, mas garantir o sucesso do Mercosul.

 

 

 

Leiam agora a matéria de Yuri Dantas na Folha de hoje – “Brasil faz oferta de Plano Marshall para o Paraguai” (clique aqui).

Após a reunião com Amorim, Franco voltou a Assunção para discutir os temas com o presidente eleito, Fernando Lugo, que recebeu positivamente a idéia. Em contrapartida, Assunção poderia aprovar uma lei de proteção a investimentos estrangeiros, para alavancar sua economia.

Segundo a Folha apurou, o plano prevê três vertentes: 1) financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para projetos de infra-estrutura e energia; 2) investimentos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em cooperação agrícola; e 3) auxílio da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) às empresas instaladas no Paraguai.

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