Ótima discussão do Nassif: curto prazo x longo prazo

A síndrome do balanço trimestral

No mercado de capitais, há um vezo herdado do mercado americano: a síndrome dos resultados trimestrais. Na Europa, é menos. Na China, quase nada. Consiste em tal sofreguidão em apresentar bons resultados trimestrais, que acaba prejudicando a visão de longo prazo.

Recentemente, um caso clássico foi da TAM. A companhia tinha um padrão de qualidade superior, uma das melhores imagens e marcas do país. Aí buscou melhorar a rentabilidade de afogadilho, efetuando cortes indiscriminados de despesas

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Em geral, o balanço de uma empresa impede imprudências, como, por exemplo, permitir a depreciação de equipamentos para fazer caixa. A cada ano, os equipamentos não renovados entram na rubrica “depreciação”, impactando negativamente o resultado da companhia, embora melhorando o caixa.

Para driblar essa restrição, a TAM seguiu o caminho mais fácil: depreciar ativos não contabilizados, como qualidade de atendimento e, conseqüentemente, marca.

Ao fazer isso, permitiu que seu terreno, no mercado corporativo e de alta renda, fosse invadido pelos concorrentes e que a marca (que permitia-lhe cobrar mais caro que os demais) tinha se perdido. Agora, trata de correr atrás do prejuízo.

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Na outra ponta, há casos de grandes lances estratégicos que, em um primeiro momento, impactam negativamente o resultado da companhia, mas, a médio prazo, significam ganhos efeitos.

Um dos exemplos desse tipo de movimento é as ações da Vale do Rio Doce (VALE3), que em 2008 acumulam perdas de 6.09%. A companhia anunciou interesse de compra da anglo-suíça Xstrata, sexta maior mineradora do mundo.

Caso a negociação seja oficializada, a Vale consolidará a vice-liderança mundial entre as mineradoras e ainda aumentaria a vantagem no topo da lista dos maiores produtores de minério de ferro do mundo. E aí o valor aumenta.

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Em 2006, a Vale passou por situação semelhante, quando anunciou a compra da canadense Inco, por aproximadamente US$ 18 bilhões. “Muita gente ficou com medo de problema de gestão e geração de caixa da Inco e ela provou que há uma boa administração”, lembra Eduardo Puzziello, da Fator Corretora.

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Outro exemplo de avaliação negativa no curto prazo é a JBS-Friboi, que na semana passada anunciou a compra de três empresas – duas norte-americanas e uma australiana – em um negócio que pode chegar a US$ 1,686 bilhão. Para Joesley Batista, presidente da JBS, as aquisições encerram um clico iniciado pela empresa em julho de 2007, com a compra da Swift Foods.

Em um primeiro momento, o mercado avaliou bem a notícia, principalmente por conta da confirmação da emissão de US$ 1,5 bilhão em ações para o aumento de capital da companhia, com preço de R$ 7,07. Contudo, no mês, as ações (JBSS3) têm baixa de 2,59%, frente à alta de 6,67% no ano.

Acontece que, quando abriu capital, a JBS distribuiu um prospect falando de seus planos futuros – mas não mencionou a intenção de comprar empresas no exterior. Com isso, criou uma incerteza que derrubou os preços da empresa.

Com Klinger Portella

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