Ética na política

Quem achava que não havia nenhum político decente nesse país agora tem razão.
Morreu na última quinta-feira o senador Jefferson Peres.
Entre outras coisas ele foi preterido numa eleição para a presidência do senado onde disputavam, veja você, Jader Barbalho e Antonio Carlos Magalhães.

Quase tão triste quanto a notícia de sua morte é ver políticos corruptos, combatidos pelo senador em sua luta pela ética e honestidade,
darem depoimentos “emocionados” à TV e na tribuna do senado.

Trecho do histórico dircurso proferido pelo senador em 30/08/2006:

Estamos aqui no faz-de-conta.
Como disse o Ministro Marco Aurélio (presidente do Tribunal Superior Eleitoral), este é o país do faz-de-conta.
Estamos fingindo que fazemos uma sessão do Senado, estamos em casa sem trabalhar.
Estou em Manaus há quase um mês recebendo sem fazer nada para o Congresso Nacional.
Como se ter animação em um país como este com um presidente que, até poucas semanas atrás, até poucos meses atrás, era sabidamente – como o é – um presidente conivente com um dos piores escândalos de corrupção que já aconteceu neste país e este presidente está marchando para ser eleito talvez em primeiro turno?
É desinformação da população? Não, não é. Se fizermos uma enquete em qualquer lugar deste país, todos concordarão ou a grande maioria que o presidente sabia de tudo; então votam nele sabendo que ele sabia. A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira.
Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. A democracia é isso. Curvo-me à vontade popular, mas inconformado. Esta será uma das eleições mais decepcionantes da minha vida. É a declaração pública, solene, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos por parte de governantes não têm mais importância
(…) Vou continuar protestando sempre, cumprindo o meu dever. Isso não seria justificativa para dizer que não vou fazer mais nada. Vou cumprir rigorosamente o meu dever neste Senado até o último dia de mandato, mas para cá não quero mais voltar, não.

Um país que tem um Congresso desse, que tem uma classe política dessa, que tem um povo. Senador Antonio Carlos Magalhães, dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população que compactua com isso, é lamentável. E que sabe, não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não, é parte da elite, inclusive intelectuais.
Compactuam com isso é porque são iguais, se não piores. Vou continuar nessa vida pública? Para quê?, Senador Antonio Carlos Magalhães, que é um pouco mais velho do que eu e vai continuar ainda. Mas, para mim, chega.”

Leia um pouco mais sobre ele no Blog do Noblat

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