Brasil, impotência olímpica

Perfeita a visão de José Cruz sobre política de esportes olímpicos do Brasil.

Ao liberar R$ 85 milhões para a candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o presidente Lula protestou, em tom indignado: “Qual é a explicação para que nunca tenhamos tido uma olimpíada na América do Sul? O Brasil não é um paisinho qualquer”. E concluiu: “Em qualquer critério que venha a ser analisado, o Brasil se coloca entre os 10 maiores países do mundo”.

É verdade, não somos mais um “paisinho”. Houve progressos expressivos, deve-se reconhecer. Mas é exagero afirmar que estamos entre os 10 do mundo “em qualquer critério”. Como disse o poeta, “tudo depende do ângulo com que se mira o cristal”. E, então, teremos cores e tonalidades variadas.

Já que estamos falando de esportes, vamos mirar a afirmação do presidente Lula sob esse enfoque. No critério olímpico, não estamos entre os 10 do mundo. Aí, a realidade é mais dura. Exemplo batido, mas é preciso citá-lo: há 24 anos o nosso atletismo não ganha uma medalha de ouro olímpica. Esse triste recorde de um quarto de século é de Joaquim Cruz. Nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, chegamos ao último dia de prova dependendo do desempenho de um cavalo para ganhar uma, uma só medalha de ouro. E Baloubet de Rouet empacou.

Mais uma virada no cristal e observaremos que não temos política de esportes. Em qualquer “paisinho”, socialista ou capitalista, de ontem e de hoje, a atividade física na escola é programa elementar. Não no Brasil, onde faltam equipamentos, instalações e incentivo aos professores, desmotivados pelo abandono da classe nos últimos anos.
E estamos nessa situação mesmo contando com ministérios do Esporte, da Educação e da Saúde. No entanto, que programas integrados de governo temos para nossa juventude, culminando com a identificação de atletas? Olhando o cristal sob esse enfoque, somos, sim, um paisinho.
E não é por falta de dinheiro.

Ocorre que o brasileiro desconhece o potencial de seu país e se contenta com pouco. Um pódio olímpico é motivo para festa espetacular. Como se fôssemos os melhores, imbatíveis. Uma medalha na natação é manchete nacional e festa que dura uma semana. E estamos falando de um “paisinho” de 33 milhões de crianças matriculadas em escolas públicas…
Mas não sabemos como encaminhá-las para explorar os potenciais, seja no esporte, nas artes, enfim. Isso porque falta aos ocupantes do Ministério do Esporte compromissos com o setor. São políticos de passagens transitórias pela Esplanada. Logo, suas prioridades são outras, como a própria projeção de seus partidos.

Uma resposta

  1. Adorei seu texto. Muito bem escrito e verdadeiro!

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