Lemman x Dantas

O artigo de Elio Gaspari hoje na Folha se São Paulo vale um estudo de caso em faculdades de Administração:

Talvez seja mais que uma coincidência: enquanto o povo de Pindorama acompanha enraivecido o ocaso do banqueiro Daniel Dantas, os empresários brasileiros que dirigem a InBev compraram a cervejeira americana Anheuser-Busch. Um negócio de US$ 52 bilhões que faz da empresa belgo-brasileira a maior companhia do setor, com 25% do mercado mundial.
A coincidência pode ser um sinal de que há uma troca de guarda, de métodos e de objetivos no capitalismo brasileiro. Daniel Dantas, um descendente do barão de Jeremoabo, foi considerado um gênio do seu tempo e encarnou o esplendor do papelório e da privataria tucana. Esteve um passo à frente do empresariado cartorial e, durante algum tempo, foi um Midas. Tomou o bonde errado quando se apoderou de concessionárias de serviços públicos juntando-se aos fundos de pensão de estatais. Fez do litígio judicial um apêndice dos seus interesses e deslizou para operações policiais, até acabar algemado. O Brasil de Jeremoabo deu-lhe a impressão de que se tornara poderoso. Nesse Brasil de Jeremoabo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, circula pela controvérsia da libertação do banqueiro como se a chefia da magistratura fosse uma permanência na ilha de Caras, com entrevistas de calçada, adornadas com frases de efeito.
Quando Daniel Dantas chegou ao mercado, lá havia uma referência legendária. Chamava-se Jorge Paulo Lemman. Ele e sua turma compraram a Anheuser-Busch. Ao tempo do papelório, e até mesmo durante o tele-esplendor da privataria, Lemann ganhou todo o dinheiro a que tinha direito. Seu banco, o Garantia, entrou mal numa curva e, em 1988, foi vendido ao Credit Suisse.
Lemann celebrizou-se pela capacidade de juntar talento e trabalho, transformando funcionários em milionários. Três deles foram relevantes para a compra da cervejeira americana: Carlos Brito, Marcel Telles e Carlos Sicupira. Em 1980, quando o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh ajudou a fundar o PT, o patrimônio de Brito, Telles e Sicupira talvez fosse inferior aos R$ 650 mil que, segundo a Polícia Federal, o doutor recebera como honorários até abril.
Lemann e sua turma transferiram-se para a economia real arrematando empresas mal administradas. Em 1989, compraram a Brahma e depois engoliram a Antarctica, criando a AmBev. Em 2004, a empresa juntou-se com a cervejeira belga Interbrew, gerando a InBev. Hoje, 7 dos 12 principais executivos são brasileiros. Carlos Brito, de 48 anos, é seu presidente.
Daniel Dantas poderia ter criado uma AmBev, mas preferiu ficar no regaço do governo. A turma da InBev trata o mínimo possível com os Poderes. São profissionais agressivos e têm uma enorme capacidade de agradar os acionistas. Nos últimos anos, quem comprou ações de suas cervejarias ganhou muito mais dinheiro que a bancada dos títulos públicos.
Faz tempo que a garotada que entra no mercado de trabalho procura evitar atividades que dependam da palavra de burocratas. Numa mesma semana, Daniel Dantas e a turma da AmBev ensinaram que um dos caminhos inclui o risco da cadeia. O outro oferece o sucesso.

Brasil, impotência olímpica

Perfeita a visão de José Cruz sobre política de esportes olímpicos do Brasil.

Ao liberar R$ 85 milhões para a candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o presidente Lula protestou, em tom indignado: “Qual é a explicação para que nunca tenhamos tido uma olimpíada na América do Sul? O Brasil não é um paisinho qualquer”. E concluiu: “Em qualquer critério que venha a ser analisado, o Brasil se coloca entre os 10 maiores países do mundo”.

É verdade, não somos mais um “paisinho”. Houve progressos expressivos, deve-se reconhecer. Mas é exagero afirmar que estamos entre os 10 do mundo “em qualquer critério”. Como disse o poeta, “tudo depende do ângulo com que se mira o cristal”. E, então, teremos cores e tonalidades variadas.

Já que estamos falando de esportes, vamos mirar a afirmação do presidente Lula sob esse enfoque. No critério olímpico, não estamos entre os 10 do mundo. Aí, a realidade é mais dura. Exemplo batido, mas é preciso citá-lo: há 24 anos o nosso atletismo não ganha uma medalha de ouro olímpica. Esse triste recorde de um quarto de século é de Joaquim Cruz. Nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, chegamos ao último dia de prova dependendo do desempenho de um cavalo para ganhar uma, uma só medalha de ouro. E Baloubet de Rouet empacou.

Mais uma virada no cristal e observaremos que não temos política de esportes. Em qualquer “paisinho”, socialista ou capitalista, de ontem e de hoje, a atividade física na escola é programa elementar. Não no Brasil, onde faltam equipamentos, instalações e incentivo aos professores, desmotivados pelo abandono da classe nos últimos anos.
E estamos nessa situação mesmo contando com ministérios do Esporte, da Educação e da Saúde. No entanto, que programas integrados de governo temos para nossa juventude, culminando com a identificação de atletas? Olhando o cristal sob esse enfoque, somos, sim, um paisinho.
E não é por falta de dinheiro.

Ocorre que o brasileiro desconhece o potencial de seu país e se contenta com pouco. Um pódio olímpico é motivo para festa espetacular. Como se fôssemos os melhores, imbatíveis. Uma medalha na natação é manchete nacional e festa que dura uma semana. E estamos falando de um “paisinho” de 33 milhões de crianças matriculadas em escolas públicas…
Mas não sabemos como encaminhá-las para explorar os potenciais, seja no esporte, nas artes, enfim. Isso porque falta aos ocupantes do Ministério do Esporte compromissos com o setor. São políticos de passagens transitórias pela Esplanada. Logo, suas prioridades são outras, como a própria projeção de seus partidos.

Ética na política

Quem achava que não havia nenhum político decente nesse país agora tem razão.
Morreu na última quinta-feira o senador Jefferson Peres.
Entre outras coisas ele foi preterido numa eleição para a presidência do senado onde disputavam, veja você, Jader Barbalho e Antonio Carlos Magalhães.

Quase tão triste quanto a notícia de sua morte é ver políticos corruptos, combatidos pelo senador em sua luta pela ética e honestidade,
darem depoimentos “emocionados” à TV e na tribuna do senado.

Trecho do histórico dircurso proferido pelo senador em 30/08/2006:

“Estamos aqui no faz-de-conta.
Como disse o Ministro Marco Aurélio (presidente do Tribunal Superior Eleitoral), este é o país do faz-de-conta.
Estamos fingindo que fazemos uma sessão do Senado, estamos em casa sem trabalhar.
Estou em Manaus há quase um mês recebendo sem fazer nada para o Congresso Nacional.
Como se ter animação em um país como este com um presidente que, até poucas semanas atrás, até poucos meses atrás, era sabidamente – como o é – um presidente conivente com um dos piores escândalos de corrupção que já aconteceu neste país e este presidente está marchando para ser eleito talvez em primeiro turno?
É desinformação da população? Não, não é. Se fizermos uma enquete em qualquer lugar deste país, todos concordarão ou a grande maioria que o presidente sabia de tudo; então votam nele sabendo que ele sabia. A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira.
Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. A democracia é isso. Curvo-me à vontade popular, mas inconformado. Esta será uma das eleições mais decepcionantes da minha vida. É a declaração pública, solene, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos por parte de governantes não têm mais importância
(…) Vou continuar protestando sempre, cumprindo o meu dever. Isso não seria justificativa para dizer que não vou fazer mais nada. Vou cumprir rigorosamente o meu dever neste Senado até o último dia de mandato, mas para cá não quero mais voltar, não.

Um país que tem um Congresso desse, que tem uma classe política dessa, que tem um povo. Senador Antonio Carlos Magalhães, dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população que compactua com isso, é lamentável. E que sabe, não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não, é parte da elite, inclusive intelectuais.
Compactuam com isso é porque são iguais, se não piores. Vou continuar nessa vida pública? Para quê?, Senador Antonio Carlos Magalhães, que é um pouco mais velho do que eu e vai continuar ainda. Mas, para mim, chega.”

Leia um pouco mais sobre ele no Blog do Noblat

Cadê a oposição?

O artigo de Nelson Motta hoje na Folha de São Paulo é uma pérola sobre a política no Brasil:

Entrevistada na TV em um baile de Carnaval carioca, Regina Casé se espantou: “Pô, aqui todo mundo é atriz-modelo-manequim. E as piranhas, onde estão as piranhas?”.
O baile político está bem parecido. Todo mundo quer dançar com o governo, de Maluf e Collor à extrema esquerda do PT, revertendo a clássica piada anarquista dos anos 60 para “hay gobierno? Soy a favor!”.
Quem quer ser oposição em Minas, contra Aécio Neves e Fernando Pimentel? No Ceará, a oposição ao governador Cid Gomes se reduz -como diria Nelson Rodrigues, que abominava unanimidades- a “cerca de dois” deputados. Isso é bom para a democracia? Ou, além da jabuticaba, o Brasil quer surpreender o mundo com a novidade da democracia sem oposição?
Ou talvez seja hora de rediscutir o papel da oposição no Estado democrático moderno, como no Chile e na Espanha. Em países civilizados, a oposição é rigorosa, combativa, propositiva e indispensável -e exige mais do governo. Mas, aqui, ainda é movida a fisiologismo, ressentimento e desmoralização dos adversários.
Há muitos prefeitos, de todos os partidos, que são íntegros e competentes, mas são minoria entre os bandidos, os fisiológicos e os mercenários em causa própria. Para eles, ser oposição no Brasil é um semi-suicídio administrativo, um atentado contra os interesses da população, é aderir ou sucumbir.
Serra e Aécio devem suar frio imaginando o tamanho da encrenca que os espera em um eventual governo no pós-Lula. Devem ter pesadelos com os movimentos sociais e as centrais sindicais nas ruas, com as greves, com a oposição parlamentar dinamitando projetos e reputações, como um velho filme de terror, turbinado pelo apego às delícias do poder dos que ainda não as haviam desfrutado.

Paulinho da Viola

SÓ O TEMPO
(Paulinho da Viola)

Largo a paixão
Nas horas em que me atrevo
E abro mão de desejos
Botando meus pés no chão
É só eu estar feliz
Acende uma ilusão
Quando percebe em meu rosto
As dores que não me fez
Ah! meu pobre coração
O amor é um segredo
E sempre chega em silêncio
Como a luz no amanhecer
Por isso eu deixo em aberto
Meu saldo de sentimentos
Sabendo que só o tempo
Ensina a gente a viver

A alma do negócio

Preste atenção nos nomes abaixo. Você provavelmente conhece todos eles.
Note que a grande maioria dos vencedores do prêmio Top of Mind Internet, idealizado pelo UOL e realizado pelo Datafolha, é líder de mercado na sua respectiva categoria.
A conclusão é óbvia: o bom desempenho da empresa é diretamente proporcional ao seu investimento em publicidade. E por incrível que pareça, é o primeiro a ser sacrificado em tempos de crise.

Acessórios de informática: HP e LG
Aparelho de TV: LG
Artigo Esportivo: Nike
Automóvel: Fiat e Volkswagen
Banco: Itaú
Câmera Digital: Sony
Cartão de Crédito: Visa
Cerveja: Skol
Companhia Aérea: Gol
Computador e Notebook: Dell e LG
DVD Player: LG e Sony
E-commerce: Americanas
Lanchonete: Mc Donald’s
Produto de Beleza: Natura
Produto de Higiene: Dove e Colgate
Refrigerador: Brastemp
Refrigerante: Coca-Cola
Serviço Público: Receita Federal
Telefonia Celular – aparelho: Motorola e Nokia
Telefonia Celular – operadora: Vivo
TV por Assinatura: Net

Idéias podem transformar riscos em oportunidades

(copiada do blog do nassif, muito estimulante para quem pensa em sugerir ao invés de criticar)

 

Querem ver o poder transformador das idéias?

No dia 28 de abril passado, um leitor de nome Emerson (não colocou o sobrenome) colocou um comentário sugerindo um Plano Marshall do Brasil para o Paraguai (clique aqui).

Dizia  ele

A questão Itaipu é complexa do ponto de vista diplomático e im nó do ponto de vista político. Parece-me que do ponto de vista técnico e financeiro esta ótima.

O novo presidente paraguaio montou sua campanha em função da renegociação do tratado. Se não o fizer, rompe com sua base de sustentação. Por outro lado, se o fizer levará os louros de todo sucesso e acusará o Brasil (imperialista) de todo o insucesso. Ou seja, sua unica opção é tentar a renegociação do tratado seja lá qual for o resultado.

No caso diplomático, o Itamaraty sabe que deve tratar o Paraguai em termos totalmente diferentes do que tratou a Bolívia ou trataria qualquer país fora do Mercosul. O Mercosul ainda é de interesse brasileiro. Assim, será importante ceder para que o Paraguai melhore sua condição econômica e fortaleça o Mercosul.

Devemos lembrar do Barão do Rio Branco.. “em diplomacia, aquele que parece que perdeu, na verdade ganhou, e quem aparece com a vitória, de fato perdeu”. Nâo interessa ao Itamaraty parecer vitorioso, mas garantir o sucesso do Mercosul.

 

 

 

Leiam agora a matéria de Yuri Dantas na Folha de hoje – “Brasil faz oferta de Plano Marshall para o Paraguai” (clique aqui).

Após a reunião com Amorim, Franco voltou a Assunção para discutir os temas com o presidente eleito, Fernando Lugo, que recebeu positivamente a idéia. Em contrapartida, Assunção poderia aprovar uma lei de proteção a investimentos estrangeiros, para alavancar sua economia.

Segundo a Folha apurou, o plano prevê três vertentes: 1) financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para projetos de infra-estrutura e energia; 2) investimentos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em cooperação agrícola; e 3) auxílio da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) às empresas instaladas no Paraguai.

A coisa mais importante que você possui

Ouça o que ele diz.

E não se esqueça de usar também o cérebro.

Idéia para a oposição: “Reage, Batman”

Um leitor do blog do Ricardo Noblat, fez um comentário muito interessante sobre a atuação da oposição ao Governo Lula. O próprio blog o publicou, indicando a pertinência da sugestão.

Como se trata de uma idéia muito clara sobre como uma oposição responsável deve trabalhar, este blog abraça a idéia e parabeniza o autor Bertoldo Klinger:

“Antes de pensar em bater ou não na Dilma a oposição precisa urgentemente formular propostas concretas para os problemas brasileiros!!!

O povo é conservador e continuista por natureza! Por isso que reeleição é complicado…

Jamais vão tirar o Lula de lá somente dizendo o quanto ele é ruim… Precisam propor algo melhor!!! E nesse ponto nossa oposição é sofrível demais!!!

Mirem-se no exemplo do petistas enquanto oposição. Eles tinha milhões de propostas milagrosas pra “salvar” o Brasil!

Calote da dívida externa, reestatização, Fome Zero, Primeiro Emprego, reforma agrária, etc….

Tá certo que quando assumiram o poder não fizeram nada do que propunham… Mas pelo menos tinham propostas!!! Tinham uma agenda a defender!!!

E qual a proposta da oposição atual??? Na economia continua tudo na mesma??? Educação? Saúde? Segurança Pública??? Algum novo plano???

E pra erradicar a corrupção? Alguma tática???

Vamos fazer o dever de casa oposição!!!”

Será que a Dengue vai vencer a sociedade?

Por que a sociedade tem tanta dificuldade em vencer o mosquito da dengue? Será que não temos força suficiente para erradicá-lo e nos livrarmos desta doença?
A incrível repetição anual dos casos nos leva a uma reflexão não muito otimista sobre este assunto.
Não se pode dizer que falta tecnologia. Também sabemos que não é falta de dinheiro. Também não é falta de comunicação, já que a imprensa não fala em outra coisa.

Então, o que falta?
Faltam duas coisas muito mais difíceis de se achar.
A primeira é liderança. Não uma liderança eleitoral, eleita por maior número de votos. Precisamos de um comando real, comprometido com a ação e não com a retórica, capaz de mobilizar a sociedade, capaz de reconhecer a epidemia, entender que não é trivial, falar a verdade com a população e desenvolver um espírito coletivo de mobilização e de trabalho contra o aedes egypti.

A segunda é justamente o espírito coletivo. Os tempos atuais e o nosso sistema econômico fizeram que as pessoas se determinassem a cuidar cada um do que é seu. Nossos egoísmos nos fazem vigiar os nossos filhos, nossas piscinas e nossos condomínios. Isto não é suficiente para vencer a dengue. Se o síndico vence o mosquito no seu prédio, ele fez a sua parte, mas não venceu.
Para vencer, é preciso ajudar o síndico vizinho, o dono do lote baldio, a loja fechada, o bairro vizinho, e assim sucessivamente.

Isto nos remete a uma discussão ainda maior.
Todos os problemas que necessitam de esforço coletivo para ser resolvido estão vencendo a sociedade.
O trânsito é um bom exemplo. Todos tentam resolver o seu problema de trãnsito, comprando mais carros e motos. E no final, o trânsito fica bem pior.

Segurança pública e Meio Ambiente também passam pela mesmo caminho.

Precisamos alterar a lógica da Gestão Pública para obtermos alguma luz a caminho da solução dos problemas coletivos.

Pense nisso!

Como cortar gastos públicos

Nas residências, nas empresas e nos governos, estamos sempre falando de um mesmo assunto: precisamos cortar gastos.

Contudo, em alguns casos, o que se vê é uma “inocente” confusão entre cortar efetivamente os gastos e deixar de pagar as despesas.

Não adianta atrasarmos o aluguel, o condomínio ou a escola particular e depositar o dinheiro na poupança. Todos nós sabemos que estas contas serão pagas no futuro com todos os acréscimos legais e os embaraços compatíveis com a inadimplência. Se queremos reduzir os gastos, é preciso efetivamente cancelar o funcionamento de algum serviço, suspender a TV por assinatura, parar de frequentar a academia, ou simplesmente trocar a filé mignon pela acém.

Há ainda uma outra variação de redução de gastos, que é o ganho de eficiência. Uma empresa pode, com o mesmo número de funcionários e consumindo a mesma energia, produzir mais unidades de seu produto e fazer uma redução no seu custo unitário.

O que se vê nos Governos, em regra, não obedece a esta lógica. A redução se dá normalmente pelo não pagamento dos serviços e produtos adquiridos pelo poder público.

Se você pára de pagar a empresa que dá manutenção nas estradas, você tem dois efeitos básicos:

– no primeiro momento, o serviço continua a ser prestado sem o pagamento, ou seja, apenas não se empenhou, mas a empresa tapou o buraco, e portanto a despesa continuou a existir;

– no segundo momento, já sem o fornecedor, o Estado gastará muito mais para refazer a rodovia, já que não fez a manutenção a tempo.

O mesmo raciocínio vale para escolas, hospitais, delegacias, batalhões e órgãos de atendimento ao cidadão. As despesas públicas não param de ocorrer porque o orçamento não foi publicado, ou o ordenador de despesas não as empenhou (ou cancelou o empenho).

O hospital continua a atender doentes, e isto custa dinheiro. A escola continua ensinando os alunos, o policial continua patrulhando, e as despesas só aumentando. Assim como no caso da estrada, a interrupção destes serviços custa vidas e futuros. Mais tarde, o Estado terá de arcar com um valor ainda maior.

Este blog, dentro do seu espírito de sugerir, ao invés de reclamar, entende que são positivas algumas medidas para controlar a corrupção e diminuir o gasto público:

– elaboração de orçamentos deve ser feita de forma séria, sem que se tenha 200 alterações por ano. Claro que se deve fazer revisões mensais. Quando se faz muitas mudanças, comprova-se que o trabalho inicial era de péssima qualidade.

– em muitos casos, o Estado deve se retirar da atividade, cancelar o serviço que presta através da arrecadação de impostos. Privatizar rodovias, autódromos, estádios, e outros “elefantes brancos”. Incentivar as empresas a financiarem atividades culturais.

– limitar a um percentual muito baixo do orçamento a publicidade governamental. Uma coisa é dar conhecimento público das ações do governo, outra é o endeusamento do chefe do momento. O que se tem visto é o aumento da popularidade de alguns políticos financiado pelo dinheiro dos impostos.

– o orçamento deve ser imperativo. A despesa prevista deve ser efetivamente realizada e paga rigorosamente em dia. Se todos sabem o que o governo vai comprar, todos os fornecedores podem participar. Se o pagamento vai ser feito em dia, todos vão querer fornecer e ninguém ficará solicitando propinas para liberar pagamentos que já deveriam ter sido feitos há muito tempo. Pode ter certeza que os preços de aquisição vão cair vertiginosamente.

– ao efetivamente entregar o bem ou o serviço, fornecedore recebe um título executável para vencer em 30 dias. Em caso de atraso, o Judiciário se encarrega de interceptar a arrecadação tributária e pagá-lo prontamente. O Estado tem de ser o melhor cliente das empresas.

– não há que se falar em cancelamento de empenhos. Cancelar empenhos de despesas já liquidadas deve ser incluído como transgressão da Lei de Responsabilidade Fiscal e punir seu infrator com a inelegibilidade, a única punição que realmente assusta o político.

A Reforma Administrativa do Governo Alcides, em Goiás, entra agora em seu último mês do prazo concedido pela Assembléia Legislativa. Chegou a hora de verificar se teremos a efetiva redução do gasto ou a simples falta dos repasses necessários ao adequado funcionamento dos serviços públicos.

Sugestão de viagem

Se você é assim como eu, que adora viajar, mas adora tanto mesmo que gostaria de ir a todos os lugares em qualquer época do ano, visite o blog abaixo:

http://viajeaqui.abril.com.br/indices/conteudo/blog/viaje-na-viagem.shtml

Ricardo Freire dá excelentes idéias de como combinar turismo com geografia e meteorologia. Suas sugestões nos lembram que existem períodos apropriados para visitar os locais.

Para quem já ficou rico, talvez milionário. Ou para quem já desistiu de acumular todas as riquezas do mundo e entende que, além de ter um pouco de conforto, viajar é muito bom.

Aproveite esta idéia!!

Idéias sobre o perfil da dona de casa brasileira

Quando a gente pensa em desenvolver, lançar ou apenas vender um produto destinado ao consumo nos lares brasileiros, uma das primeiras idéias interessantes é tentar conhecer quem é a dona de casa que decide sobre as compras nas residências.

Algumas informações muito interessantes sobre a mais importante das pessoas para está neste mercado:

– O Brasil tem mais de 170 milhões de habitantes, aproximadamente 53 milhões são consideradas donas de casa, assim entendida a pessoa responsável por definir as compras na residência. Isto dá 31% da população.

– 91% são mulheres. Apenas 9% são homens.

Observando a tabela abaixo, você vai notar alguns detalhes:

– 36% delas tem mais de 50 anos. Se você acumular, vai ver que 74% tem mais de 35 anos. Ou seja, você está lidando com gente que tem muita experiência no que faz.

– se você já fez uma pesquisa qualitativa com estas pessoas, já percebeu que elas definem perfeitamente os produtos de alta qualidade, os medianos e os ruins. Conhecem os preços da grande maioria deles.

– já viram milhares de produtos aparecerem e desaparecerem das prateleiras. Já tem um lista negra com marcas que não voltarão a comprar jamais. Já experimentaram muitos novos produtos e, em consequência já mudaram de marca preferida.

– segundo os últimos dados, 46% da população está na Classe C, e as classes D/E anda contibuem com pelo menos mais 30% do contingente.

Idade % quantidade(Habitantes)

15-19 1 527.000

20-24 5 2.635.000

25-29 9 4.743.000

30-34 11 5.797.000

35-39 13 6.851.000

40-44 13 6.851.000

45-49 12 6.324.000

50+ 36 18.972.000
Daí, vem algumas sugestões sobre marketing para estas pessoas:

– estas consumidoras preferem e sempre que podem, adquirem os produtos de melhor qualidade.

– quando compram produtos de posicionamento “menor preço”, sabem exatamente o que estão comprando e o fazem conscientemente;

– tem uma rede de relacionamento bastante ativo. O boca-a-boca é muito mais ativo e relevante do que imaginam os estudiosos.

Por isto tudo, se você está no mercado, seja profissional no trato com elas. Procure desenvolver e vender produtos que satisfaçam suas exigências de qualidade. Não engane na comunicação, você vai ser pego mentindo e não vai perceber que foi apanhado.

Anuncie nos canais de comunicação apropriados para atingir este público, sem se deixar levar pelas ofertas baratas das rádios e televisões.

Não sei exatamente como obter sucesso no mercado, mas imagino que fugir destes conceitos é uma boa maneira de caminhar rumo ao fracasso.

Transporte coletivo nas empresas ajudaria o trânsito

Todas as vezes que vemos na televisão uma reportagem sobre os engarrafamentos no trânsito, ouvimos a repetição de que a maioria dos automóveis está transportando apenas uma pessoa.

Olho para o estacionamento do meu local de trabalho e imagino que temos uma relação muito próxima de um veículo para cada funcionário.

Faço parte de um grupo de amigos que, há vários anos, participam de um rodízio de transporte comunitário muito divertido. A cada dia da semana, um é responsável por apanhar os outros em casa, trazer para o trabalho e fazer o percurso inverso à tarde.

Além de retirarmos quatro veículos de circulação, e economizarmos muito combustível, ainda temos o prazer de contar piadas, atualizar sobre notícias, combinar novas pescarias, além de comentarmos sobre os assuntos do momento.

Outro benefício é que nossas esposas podem fazer uso do carro nos outros quatro dias da semana, sem a necessidade de termos um segundo automóvel ou de contratarmos motoristas.

Daí vem uma idéia: todas as empresas que tivessem mais de um certo número de funcionários em sua sede, (eu sugiro 200), deveria contratar ônibus ou vans para buscar e levar seus funcionários para casa. Eles podem ser divididos em rotas e otimizados seus custos e tempos de translado.

Veja só:

-poderiam ser retirados inúmeros veículos do trânsito, diminuindo os engarrafamentos e a emissão de gases;

– isto permitiria maior integração entre colegas da empresa que trabalham em setores diferentes mas que moram em áreas próximas da cidade;

– menores custos para os participantes, representando um pequeno aumento de receita disponível no final do mês.

– não se precisaria de tanta área para estacionamento.

Trânsito é um problema de todos, não é legal que fiquemos esperando idéias e obras maravilhosas só por parte do governo.

Os blogs e a imprensa tradicional. Cony X Nassif

A Internet talvez seja a coisa mais democrática que já conheci. Democrática em duas direções: todos podem acessar as informações publicadas e todos podem publicar informações e opiniões.

E democracia, como já foi dito, é um sistema cheio de imperfeições.

Quem assistiu o filme “Jogos do Poder”, com Tom Hanks e Julia Roberts, enxergou a relação incestuosa entre vendedores de armas, congressistas, prostitutas, lobistas e arapongas.

Quem já esteve em qualquer nível de governo enxerga logo o casamento entre os interesses econômicos e os eleitorais, onde o dinheiro é usado para gerar votos e os votos são usados para gerar mais dinheiro, em um ciclo que as instituições ainda não aprenderam como evitar.

Temos acompanhado o trabalho do Nassif, apontando o “desvirtuamento” do jornalismo de alguns órgãos como a Veja, onde a imprensa tradicional se coloca a serviço de lobistas, arapongas, grampeadores e outros interesses estranhos.

A utilização crescentes dos blogs produz também bons e maus resultados. Cada blogueiro é hoje dono de seu próprio órgão de imprensa, e deve fazer suas opções: vender-se, vender seu espaço, publicar opiniões isentas, criticar com ou sem seriedade e assim por diante.

Isto é democrático. A luta do blog do Nassif contra a Revista Veja, exemplifica bem o poder que a Internet vem acumulando ao ponto de poder “disputar” contra a maior revista do país.

Sem concordar com o conteúdo, sou obrigado a dizer que a opinião do Carlos Heitor Cony sobre os blogs também deve ser respeitada, poi sou democrático. Apesar de achar que ele não foi muito proporcional em sua crítica. Tratar todos os blogueiros como ele tratou seria o mesmo que tratar todos os jornalistas de forma desrespeitosa.

Ou talvez alguns jornalistas entendam que o direito a escrever besteiras, dar opiniões, publicar verdades ou inverdades continua sendo monopólio deles.

Graças a Internet, não é mais!

“Desocupados, embriões de gênios que desejariam ser comentaristas de política, de esportes, de economia e de cultura, ditando regras disso ou daquilo, encontraram afinal a tribuna, o miniespaço que buscavam e não conseguiam.
Entram na internet com tempo e garra suficientes para tentar criar um mundo à sua imagem e semelhança, mundo que felizmente não existe, a não ser na cabeça desses novos Petrônios informatizados.”

Carlos Heitor Cony,
Folha de São Paulo, 16/03/2008

Google x Microsoft

Na guerra entre Microsoft e Google pra ver quem vai conquistar corações e mentes dos usuários de computadores, uma boa idéia é manter-se aberto às ferramentas desenvolvidas por ambos. Mesmo porquê, quando algum dos produtos de um faz sucesso mesmo, o outro logo copia.

Uma sugestão é experimentar os documentos online do Google Docs. Com ele você pode acessar seus textos e planilhas direto de qualquer computador, para isso basta ter uma conta no gmail, que é gratuito.
É muito útil para quem precisa ter cópias de segurança ou para quem utiliza computadores diferentes, em casa e no local de trabalho, por exemplo. Os documentos podem ser editados normalmente e também compartilhados com outros usuários, o que pode ser de grande utilidade quando duas ou mais pessoas trabalham sobre os mesmos textos ou números.

Essa é a aposta do Google, a virtualização dos programas, no caso o editor de textos e a planilha eletrônica. A Microsoft segue na direção oposta, acreditando nos programas dentro do HD do usuário.
Experimente, veja qual das alternativas serve melhor ao seu estilo ou à sua necessidade.

Novo perfil do consumidor Brasileiro

Se você trabalha na área comercial ou de marketing de alguma empresa, é recomendável formar idéia do novo perfil do consumidor brasileiro. Com 86 milhões de pessoas, classe C já é maioria da população brasileira. Expansão em 2007 resultou do aumento da renda nas classes D e E, mas uma parcela menor veio das classes A e B.

Márcia De Chiara

A classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior. A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.Isso é o que revela a pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs. Na terceira edição da enquete, foram ouvidas 1.500 famílias em 70 cidades e nove regiões metropolitanas do País em dezembro de 2007. Os entrevistados foram classificados não só pela renda, mas também pelo nível educacional e pela posse de bens, este o item de maior peso.

“O elevador social funcionou”, afirma Franck Vignard Rosez,diretor de Marketing e Novos Negócios da financeira. Ele atribui esse resultado a uma combinação favorável de fatores: crédito farto com prazos longos e juros menores, preços em queda dos bens duráveis, crescimento do emprego e os programas sociais que colocaram mais recursos no bolso das camadas que estão na base da pirâmide populacional. “O aumento expressivo da classe C nos surpreendeu”, diz o presidente da Cetelem no Brasil, Marc Campi. Segundo ele, em apenas um ano esse estrato social aumentou o equivalente a duas vezes a população de Portugal. Animado com os números, Campi conta que a financeira vai entrar no crédito de veículos neste ano e avalia a estréia no crédito imobiliário mais para frente. Apesar do entusiasmo, ele pondera que, se os prazos dos financiamentos forem reduzidos e os juros subirem, a mobilidade social acelerada das camadas de menor renda poderá perder fôlego.

De acordo com o estudo, “o bem-estar da sociedade brasileira passa por uma pequena revolução”. Com o grande número de pessoas que migrou da classe D/E para a classe C, quase dobrou a renda média mensal familiar dessa população no último ano, de R$ 580 para R$ 1.062. Apesar disso, a renda média familiar da classe C no último ano teve um ligeiro recuo, de R$ 1.162 para R$ 1.062. Segundo Rosez, isso ocorreu porque normalmente quando as pessoas ingressam numa outra classe a entrada ocorre pelas faixas salariais mais baixas, o que puxa a média de renda do estrato social para baixo.Outro dado positivo da pesquisa foi o aumento da renda disponível das classes C e D/E nos dois últimos anos. Em 2005, faltavam R$ 17 para o consumidor da classe D/E pagar as contas no fim do mês. No ano passado, sobraram R$ 22. Na classe C também houve ganho de renda. Em 2007, sobraram R$ 147, ante uma folga de R$ 122 em 2005. Já para a classe A/B a fôlego diminuiu de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007. A renda disponível é a que sobra após os gastos obrigatórios. A enquete mostra que o ritmo acelerado de consumo deve continuar este ano. Celular, computador, itens de decoração e a casa própria tiveram os maiores acréscimos na intenção de compra.

Para que serve o chefe?

Claudio de Moura Castro , um especialista em educação, durante entrevista concedida ontem a Rádio CBN, fez uma afirmação interessante: a solução para o problema de educação no Brasil é local. São professores, alunos e a comunidade em torno da escola que vão melhorar a qualidade do ensino.

Isto nos leva a uma discussão interessante. Não é a qualidade técnica do ministro da Educação que melhora o processo, é a execução bem feita do processo pedagógico na sala de aula que obtém melhores resultados.

Se analisarmos isto, veremos que isto ocorre em todas as empresas. A qualidade do presidente da empresa, normalmente muito bem pago, é muito importante. Mas é na linha de frente, produção, logística, vendas, que a guerra acontece. São os soldados que olham nos olhos do inimigo, do concorrente, e sobretudo do cliente.

Mas então, qual é o verdadeiro papel do chefe?

A idéia deste post é mostrar que o chefe tem missões bem mais importantes que eles normalmente não executam:

1 – recrutar – muitos chefes entregam o trabalho de recrutamento ao pessoal de RH ou a consultorias externas e só tomam conhecimento do processo quando o funcionário já foi contratado. Recrutar bem seus gerentes e colaboradores economiza custos de treinamento, prejuízos e dá ao cliente o melhor atendimento possível.

2 – treinar – é muito comum encontrar vendedores que não sabem detalhes importantes dos produtos que estão vendendo. Não conhecem os produtos da concorrência. Não explicam nada ao cliente e ainda acham que fazem um bom trabalho. A culpa não é exclusivamente do funcionário. Ele não sabe porque o chefe não o treinou. E se não treinou, não terá o serviço e nem os resultados que deseja.

3 – capacitar – mais completo ainda do que treinar. Capacitar é fornecer os meios necessários para que as pessoas possam ser capazes de executar o que desejam. Um médico sem remédios, um policial com um revólver 38 na mão, um vendedor sem amostras, um industriário sem equipamentos de proteção, nada disto pode resolver o problema.

4 – motivar – na minha opinião, a maior tarefa do chefe. Compartilhar a orientação estratégica, dar o foco, explicar o objetivo do serviço, mostrar comprometimento, acompanhar as ações, mostrar a alegria de vencer desafios, comemorar bons resultados. Uma equipe motivada é boa parte do que o chefe precisa para atingir seus objetivos,

Portanto, se você é chefe, ou for convidado para uma função de chefia, deixe seus funcionários executar suas tarefas, sem ficar azucrinando-os. Cuide do seu serviço, recrute bem, treine adequadamente, forneça os meios e motive seu pessoal.

Você vai ver que o sucesso vai te surpreender.

Players Blu-ray têm dificuldade para funcionar em televisores de tubo

IBERÊ THENÓRIO | Para o UOL Tecnologia

Uma dica valiosa para quem vai investir um bom dinheiro para montar um cinema de vídeo em alta resolução: dê prioridade à TV e deixe a preocupação com o player para depois. Com uma TV antiga, de tubo, que não seja full HD ou não aceite conexão digital, a imagem certamente deixará a desejar.Para ver como o novo formato se sai em televisores mais antigos, o UOL Tecnologia colocou quatro players de Blu-ray em uma TV de tubo de 29 polegadas. Os aparelhos foram ligados por um cabo de Vídeo-composto e foi exibido o filme “Homem-Aranha 3” (incluído no pacote do player Sony).

A primeira dificuldade foi configurar o tamanho correto da tela, já que os televisores antigos têm tela na proporção 4:3, enquanto o Blu-ray é gravado em 16:9. Além disso, a resolução também teve de ser baixada para 480 linhas.

Configurações (e ligações para o suporte técnico)

Nos aparelhos LG BH200 e Sony BDP-S300, a configuração é simples: com o controle remoto, mudam-se essas opções no menu de configurações, e a imagem aparece sem distorções.

É bom lembrar, porém, que a diferença de proporções entre o formato Blu-ray e a TV antiga faz com que apareçam duas tarjas pretas horizontais que ocupam um quarto da tela cada uma, diminuindo uma televisão de 29 polegadas para uma de 19 polegadas —e olhe lá.

O player Samsung BD-P1400 também tem a opção de mudar as configurações da tela, mas não funcionou. Em qualquer proporção de tela ou resolução que se selecionasse, o filme aparecia esticado, e as pessoas ficavam com rostos longos e ombros estreitos.

O suporte técnico da Samsung foi acionado e, depois de testar todas as opções possíveis, o atendente informou que o ideal mesmo era conectar o aparelho a uma TV de alta definição.

Nos testes com o player Philips BDP9000, o resultado também foi problemático. Após conectar o cabo de Vídeo-composto, a imagem gerada apresentou faixas horizontais que distorciam o filme. O problema continuou ocorrendo mesmo quando o player foi ligado a uma TV de plasma, com conexão HDMI. Depois de um tempo, o aparelho parou de reproduzir discos Blu-ray e só tocou DVDs comuns.

O suporte da Philips também foi acionado, mas o atendente informou que, por se tratar de um aparelho muito caro, não seria bom tentar resolver o problema por telefone. Segundo ele, era melhor levá-lo a uma assistência técnica autorizada.

  

A direita e o lulismo

Por Fernando de Barros e Silva

Na Folha

SÃO PAULO – A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, na revista. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.

Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um “parvenu”, um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.

Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.

É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz “classe média” e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.
Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.

Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.

Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.

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